sábado, 12 de maio de 2012

OCUPAÇAO ELIANA SILVA, PRESENTE!

Eu ia escrever um artigo relatando o que ocorreu na desocupaçao Eliana Silva, a partir do olhar de quem esteve la desde as 4 horas da manha. O belissimo artigo do Frei Gilvander  abaixo,  me satisfaz plenamente. Assim, escrevo algo mais pessoal.  
Provavelmente, voces nunca viram 350 familias lutarem pelo direito minimo de um ser humano: ter onde morar. A ausencia deste direito, retira nossa dignidade, nossa referencia, nosso chao. Sem isto, sem endereço nao se encontra trabalho.  Nao se consegue identidade. Nao existe. Em apenas 21 dias de ocupaçao, vivenciamos a mudança de comportamento das pessoas: solidarias, seguras de seus direitos, constroem um coletivo. Se sentiam como GENTE com direitos e deveres. Sao estas pequenas vitorias que mostram como os povo trabalhador ao conseguir pela luta seus direitos, se transformam. Nao ficam esperando doaçoes de caridade ou do Estado. A maioria das familias ficaram anos na fila de programas de moradia. Agora ja sabem que um pais que dedica 45% de seu orçamento para pagar o sistema financeiro e apenas 2,9% para educaçao, 3,9% saude (dados de 2010), nao é um pais serio.
E, de outro lado, estamos vendo o Brasil se transformar na 6ª economia do mundo. E, divulgar que tem um dos homens mais rico do mundo que, a partir de 2011mais cinco homens brasileiros passam a compor o rol dos 500 mais ricos do mundo. Nao é preciso ir longe para ver mansoes, carros luxuosos com motoristas. Este seguramente, nao é o país de nossos sonhos.
 E, fico com uma tristeza imensa quando vejo a maior parte dos antigos companheiros de luta, que acreditavam em um mundo diferente,  assumirem a ordem capitalista, destruindo o que estas familias construiram, jogando-as nas ruas. Esquecem suas historias quando nos anos 60, 70, 80 e 90 faziam estas mesmas lutas. Se esquecem que varios petistas atuais, moram em ocupaçoes conquistadas naquela epoca. A tristeza de ver do outro lado da barricada, bancando a inflexibilidade do estado, apoiando as forças policiais pessoas que ja acreditaram no movimento social.
Outra questao chocante, é a noticia de que nao houve violencia.  O que é a violencia? É a morte, a lesao fisica?
Eu vi  violencias inimaginaveis. Depois de ter convivido com estas familias durante o periodo de construçao dos barracos, vi como se desenvolvia ali novas relacoes embasada pela solidariedade. Vivenciamos o desenvolvimento de uma comunidade. Isto é que foi destruido. Esta é uma violencia inimaginavel.
Mas, vi outras violencias: um casal de 79 anos que tinha ali colocado sua esperança de ter uma casinha sua, sendo colocado ao relento. Varias jovens maes, com bebes no colo, enfrentando a policia. Vi uma mulher que indignada quando levaram o botijao e o fogao da cozinha coletiva, correu atras e tomou o botijao e, so nao foi espancada mais porque todos entraram no meio. Vi os apoiadores da comunidade Camilo Torres e de outros movimentos sociais, fazerem uma manifestaçao e serem agredidos, recebendo  spray de pimenta nos olhos atingindo inclusive varias crianças que estavam pertos.
A violencia de ficar durante todo um dia e a noite,  cercada por todos os lados com a policia a cavalo, batalhao de choque, Gate (Grupamento de açoes taticas especiais), helicoptero equipado para a açao e dando voos razantes. Cercaram toda a comunidade. Nao podia entrar nem sair. Assim, até o direito burgues de ir e vir, foi cerceado. Foi procurando valer este direito que vivenciei dois atos de violencia fisica.
O primeiro, em torno de 9horas quando o companheiro pataxo Jean Carlos Pereira e eu retornavamos à Comunidade Eliana Silva, de onde tinhamos saido as 7 horas da manha e onde era o nosso lugar. Ao insistirmos em entrar algemaram e prenderam o indio Jean. Como eu estava junto, entrei no meio e perguntei porque o prendiam. Resposta: desacato a autoridade. Mas, era a mesma situaçao minha? Entrei na frente, tomei os dados do Jean, argumentei mas, o levaram. Prisao provocada pela discriminaçao: indio, negro e pobre neste pais nao tem vez.
O segundo, quando dezenas de apoiadores que estavam de fora, resolveram buscar um caminho alternativo para entrar na comunidade. A policia percebeu o movimento, foi e barrou. Porem,  4 de nos conseguimos passar. Ao chegarmos por tras, os policiais que estavam dentro da comunidade, nos cercaram. Como insistiamos em ficar, 2 policiais me jogaram no chao, subiram em cima de mim, forçando minha cabeça no chao e com as maos para tras, para colocar a algema. Imediatamente, todos que estavam la, incluindo os advogados, parlamentares e o Frei Gilvander entraram e conseguiram me resgatar. Fiquei com o corpo todo doendo, com os braços arranhados, a roupa imunda e o oculos quebrado.
ISTO NAO TUDO NAO É VIOLENCIA?

Mais do que nunca precisamos fortalecer a rede de solidariedade, pois derrubaram as barracas mas nao retiraram a vontade de luta. As pessoas permanecem no local. 
TODO APOIO AO MLB, MOVIMENTO QUE COORDENA A OCUPAÇAO

VIVA A LUTA DO POVO QUE RESISTE!!!

VIVA A OCUPAÇÃO ELIANA SILVA!!!




Em Belo Horizonte, caveirão para os pobres que lutam.
Cerca de 300 famílias jogadas ao relento sob uma noite fria.
Gilvander Luís Moreira[1]

Ai daqueles que pisam nos pobres, que tripudiam sobre a dignidade de crianças recém-nascidas, de idosos, de deficientes e indefesos, todos pobres!

Eu vi e nunca esquecerei. Vi e dou testemunho.
Vi os pobres se organizarem durante meses buscando se libertar da cruz do aluguel, que come no prato do pobre, que é veneno para quem ganha só salário-mínimo.
Vi os cansados da humilhação de sobreviver de aluguel dar um grito de liberdade: Pátria Livre! Venceremos!
Vi na madrugada do dia 21 de abril de 2012 cerca de 350 famílias sem-terra e sem-teto ocuparem um terreno que estava abandonado há mais de 40 anos.
Vi as cerca de 1.500 pessoas resistirem bravamente e não serem despejadas já no primeiro dia.
Via o MLB – Movimento de Libertação nos Bairros, Vilas e Favelas – coordenar a Ocupação Eliana Silva[2] com idoneidade, com participação ativa e paixão pelo próximo.
Vi durante três semanas, quase todos os dias, o povo, melhor dizendo, a comunidade que estava se formando na Ocupação Eliana Silva, grande lutadora da Ocupação Corumbiara, em Belo Horizonte.
Vi a sensatez da Dra. Moema, juíza de plantão, negar dia 21/04/2012, a reintegração de posse à prefeitura de Belo Horizonte, porque a área ocupada não tem registro, nem matrícula e nem está averbada. Até 1992 era terra devoluta do Estado de Minas Gerais.
Vi com tristeza da juíza Luzia – que deveria gerar luz, mas gerou trevas –, da 6ª Vara de Fazenda Pública Municipal, cancelar a decisão da juíza de plantão e, mesmo sem a prefeitura de Belo Horizonte comprovar ser a legítima proprietária e ter posse do terreno, em uma decisão ilegal mandou reintegrar a prefeitura na Posse do terreno, autorizando a polícia a usar a força, sem oferecer uma alternativa digna para as 350 famílias. A juíza se sensibilizou ao ouvir que a prefeitura tem a intenção de formar ali um Parque Municipal, mas não sabe ela que na região há um parque municipal que está abandonado.
Vi, acreditando na sensibilidade da juíza Luzia, ela pedir o cadastro das famílias e prometer fazer Audiência de Conciliação, mas não cumpria a promessa de buscar a conciliação. Sem deliberar sobre Embargos de Declaração, exigiu que o despejo fosse feito com urgência. Lá não havia coisas, mas seres humanos que precisam ser respeitados na sua dignidade.
Não vi, mas ouvi que o prefeito de BH, sr. Márcio Lacerda e seu procurador Geral, sr. Marco Antônio, pressionaram fortemente a juíza e desembargadores para que o despejo covarde fosse feito sem piedade.
Vi, às 01:20h da madrugada quando um oficial militar ligou no meu celular e, dizendo que não podia se identificar me disse: “Frei Gilvander, sou oficial militar.Estou chorando, não consigo dormir. Por um dever de consciência estou ligando para lhe informar que um fortíssimo aparato repressivo da PM cumprirá reintegração de posse e despejará a Ocupação Eliana Silva, do Barreiro, hoje cedo. Estou temendo que possa haver derramamento de sangue.”
Vi, após passar toda a madrugada em claro, às 07:00h da manhã do dia 11/05/2012, a polícia militar chegar e congelar toda a área no entorno da Ocupação Eliana Silva. Durante o dia inteiro quem saísse era proibido de voltar e quem vinha para se fazer solidário era proibido de entrar.
Vi chegar mais de 400 policiais da polícia militar e tropa de choque de MG.
Vi chegar ao lado da Ocupação Eliana Silva um Caveirão – um tanque de guerra -, que eu só tinha visto, via televisão, fazendo incursões em comunidades pobres do Rio de Janeiro.
Vi centenas de policiais armadas até os dentes, com gás lacrimogêneo, cães, cavalaria. Muita truculência e prepotência.
Vi e ouvi policiais dizendo que sem-terra e sem-casa devem ser moídos no cacete.
Vi, após 2 horas de tentativa de negociação, a tropa de choque atropelar algumas pessoas: mães com crianças; o Paulo, que levou uma cacetada na cabeça; a Dirlene Marques (economista da UFMG), que foi agredida por policiais ao tentar entrar na Ocupação simplesmente para ser solidária.
Vi, aliás, centenas de pessoas que vieram de longe para ser solidárias com as 350 famílias da Ocupação Eliana Silva serem barradas durante o dia inteiro sem poder ter acesso ao epicentro da operação de guerra que se desenvolvia.
Vi por várias vezes o helicóptero da PM fazendo vôos rasantes sobre a Ocupação com metralhadoras apontadas para o povo. Vi centenas de crianças chorarem e se abraçarem às mães com pavor daquele “pássaro” que ameaçava atirar nelas.
Vi muitas mães serem barradas pela polícia ao pedir para entrar na ocupação para pegar remédios para dar seus filhos que padeciam alguma doença.
Vi o povo da Ocupação Eliana Silva, sob a liderança do MLB, resistir bravamente de forma pacífica. Sentados todos diziam e repetiram o dia inteiro: “Daqui não sairemos. Só se for presos e algemados.”
Vi, com uma punhada no meu coração, policiais, garis e funcionários da prefeitura de BH quebrarem 350 barracas de lona preta que era a única casinha que as famílias tinham construído com muito carinho. Ao serem questionados, alegavam constrangidos: “Tenho que cumprir ordens, pois senão serei desempregado.”
Vi, com os olhos do meu coração, o prefeito de BH, sr. Márcio Lacerda, o Governador de Minas, sr. Anastásia, a PM de Minas, a juíza Luiza, o TJMG e muitos comparsas pisarem, tripudiarem, cuspirem no rosto dos pobres que têm a ousadia de não ser só força de trabalho para as classes média e dominante, mas lutarem, de forma organizada, para viverem com dignidade.
Vi vários veículos de a grande imprensa ouvirem só a versão da polícia que, com a maior desfaçatez diz: “Está tudo na normalidade. Estamos simplesmente cumprindo ordem. O povo vai ser levado para um lugar digno...” Isso é querer tapar o sol com a peneira. Pisar na dignidade dos pobres é normalidade? Tão bom seria se os pobres parassem de trabalhar para seus opressores! Cumprem ordem, sim, mas ordem injusta, imoral. Levar para “abrigos”, que na prática são campos de concentração, é levar para lugar digno? Por que os 2 mil irmãos em situação de rua em BH preferem sobreviver nas ruas do que ir para os abrigos da prefeitura?
Não vi, mas penso, nessa segunda madrugada sem dormir, que os que autorizaram o covarde despejo da Ocupação Eliana Silva, sem alternativa digna, devem estar dormindo tranqüilos em quartos e mansões confortáveis, enquanto cerca de 300 famílias que não se vergaram estão passando essa noite fria ao relento no meio dos escombros de onde por 21 dias estavam vivendo felizes, em comunidade, com muita ajuda mútua, solidariedade e espírito fraterno de luta.
Vi também a luz e a força de tanta gente que se fez solidário.
Vi, sob uma noite fria, o povo como ossos ressequidos clamando por ressurreição.
Vi que fizeram uma grande sexta-feira da paixão dia 11/05/2012 aqui em Belo Horizonte com a Ocupação-comunidade Eliana Silva, mas sei que o amor é mais forte que egoísmo e, por isso, um domingo de ressurreição será gestado.
Vi o “presente” que as mães da Ocupação Eliana Silva receberam: repressão. Aliás, há 15 dias uma Comissão na Ocupação já estava planejando fazer um almoço especial para as mamães da Ocupação Eliana Silva. Mas poderosos ofereceram fel às mães da Ocupação Eliana Silva.
Vi clamores que interpelam nossa consciência e os registrei em nove entrevistas que, em vídeos, estão em www.gilvander.org.br (Galeria de vídeos). A quem não viu sugiro ver essas entrevistas. Eu sugeri à juíza Luzia que as visse, mas ...
Vi muita coisa que me marcou indelevelmente, inclusive, caveirão para os pobres de Belo Horizonte.
Vi e verei sempre que a luta por libertação integral e pela conquistas de direitos humanos- e ecológicos - continuará sempre até depois da vitória.

Belo Horizonte, às 01:10h madrugada do dia 12/05/2012, véspera do dia das mamães, expressão infinita do amor infinito.



[1] Frei e padre carmelita; mestre em Exegese Bíblica; professor do Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos, no Instituto Santo Tomás de Aquino – ISTA -, em Belo Horizonte – e no Seminário da Arquidiocese de Mariana, MG; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina; e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.brwww.gilvander.org.brwww.twitter.com/gilvanderluis - facebook: gilvander.moreira

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Semana da Ciência da Tecnologia do ICEx e Calourada

Os dias 15, 16 e 17 de maio vai ter a Semana da Ciência e Tecnologia do ICEx, promovida pelo DAICEx - UFMG. As informações estão abaixo e a entrada é franca, sendo que não é necessário inscrição:


Dia 15/05, terça feira, às 17:30h
Crise da Licenciatura

Palestra sobre a crise que se desenvolveu na licenciatura, suas implicações e
causas.
Palestrante: Doutor Pablo Lima - FAE UFMG - Licenciatura indígena

Dia 16/05, quarta feira, às 17:30h
Software Livre

Palestra sobre a teoria e alguns exemplos.
Palestrante: Doutor Loic Cerf - DCC UFMG - Mineração de Dados

Dia 17/05, quinta feira, às 14:00h
As Contradições do Pré - Sal

Palestrante: Doutor Ildo Sauer - Instituto de Eletrotécnica e Energia - USP, ex Diretor
Executivo da Petrobrás, responsável pela Área de Negócios de Gás e Energia

Local: Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais.
Todas as atividades serão no auditório 3.
Realização: Diretório Acadêmico Francisco de Assis Magalhães - DAICEx
Apoio: DA Compsi

Mais informações, consulte: http://daicex.com.br/?p=116


Sábado, dia 19 de maio, no Music Hall, vai ter a Calourada Unificada, DAICEx - DA ICB, sendo que os ingressos custarão 10 reais (até o dia 18 de maio, os preços no dia 19 no Music Hall serão mais caros). Mais informações, consulte: http://daicex.com.br/?p=110



Entrevista - JOSE RENATO sobre a COLÔMBIA

Portal do PCB entrevista Jose Renato André Rodrigues, membro do Comitê Central do PCB que esteve presente na Marcha Patriótica, na Colômbia. Nessa conversa, José Renato explica as reivindicações da Marcha e fala um pouco sobre a realidade colombiana.
- Qual sua percepção sobre esses dias na Colômbia? Como se desenvolve a luta de classes no país, pelo que você pode observar?
Pude ver muita mobilização e ação das forças anticapitalistas da cidade e do campo, além do movimento estudantil.
- A violência estatal se faz presente nas cidades?
Sim.Há muitos policiais nas ruas, me parece que a polícia é subordinada ao Exército e funciona como uma Guarda Nacional. Talvez por isso os camaradas colombianos tenham tido muito cuidado com nossa segurança, os estrangeiros que ali estávamos, principalmente com os europeus. Nós brasileiros, e outros latino-americanos, nos confundíamos com os colombianos. O Estado colombiano é um estado militarizado, e as burguesias o olham como modelo de segurança publica.
- A Marcha Patriótica abarcou que setores da sociedade?
Indígenas, afrodescendentes, mulheres, estudantes, camponeses e outros. Nas cidades ocorre o problema da criminalização e perseguição das lideranças sindicais, além da cooptação de parte do movimento sindical urbano. A CUT, central unitária dos trabalhadores, está cooptada pelo governo, o atual vice-presidente foi do movimento sindical. As medidas de impacto, que prometem emprego, habitação e consumo, conseguem confundir uma parcela das classes trabalhadoras urbanas.
- Quais as principais reivindicações da Marcha? E os encaminhamentos por ela tirados?
A Marcha aponta para a solução dos reais problemas econômicos das grandes massas trabalhadoras colombinas, a ampliação de direitos sociais, o fim da política privatista como a expansão do ensino privado e a demarcação das terras indígenas. Além disso, pede o fim das discriminações de todo tipo, liberdade para os presos políticos, respeito aos Direitos Humanos, a construção de habitações populares e a remoção de famílias das regiões de risco, além da ampliação dos serviços médicos, de transportes, o crédito ao pequeno agricultor.
Há ainda a cobrança de uma solução política para o conflito colombiano e o reconhecimento das FARC-EP como força beligerante. Somado a tudo isso o pedido de retirada das bases dos Estados Unidos e o fim dos acordos militares da Colômbia com o imperialismo.
- De que forma o capitalismo brasileiro está presente na Colômbia?
Através de um acordo militar, o Brasil vem fornecendo armas como os aviões Tucano às Forças Armadas colombianas, que utilizam o equipamento para assassinar trabalhadores. Há ainda acordos e troca de informações nas áreas de segurança, como entre o Estados do Rio de Janeiro e as cidades de Medellín e Bogotá.
Basta ver a proliferação das milícias no Grande Rio, e grupos de extermínio na Baixada Fluminense. São exemplos desta mesma "política" de segurança que é aplicadas lá. Não há ausência e sim conivência do Estado com estes grupos, tanto lá quanto aqui.
Pelas informações divulgadas na imprensa, podemos saber ainda de contratos com empresas brasileiras e muitos acordos entre os empresários dos dois países para expandir os interesses comuns e fortalecer ambas as burguesias.
- Houve algum tipo de repressão ou represália? E intimidações de forças paramilitares?
Sim. Enquanto estivemos lá um dirigente da Marcha Patriótica desapareceu, e pelo que sei continua desaparecido. Além disso, assassinaram um dos seguranças do camarada do Partido Comunista Colombiano, o Carlos Lozano.
- De que forma o PCB pode contribuir para a luta por paz com justiça social na Colômbia?
O PCB possui um longa tradição internacionalista. Roberto Morena,David Capistrano, Dinarco Reis e outros saíram do Brasil para lutar na Guerra Civil Espanhola contra os fascistas. De lá lutaram na Resistência Francesa. O nosso partido esteve na linha de frente contra o envio dos soldados brasileiros à Guerra da Coréia. Temos ainda nossa participação na solidariedade ao Vietnã, Cuba e Nicarágua.
Agora, na questão colombiana, não podíamos estar de fora, mesmo que custe a imprensa burguesa nos acusar por conta de nossa solidariedade ao povo colombiano, como acontece muitas vezes. Estamos construindo com outros segmentos a Agenda Colômbia-Brasil, estamos lutando para articular os diversos segmentos para sensibilizar a opinião publica a buscar uma solução política para o conflito colombiano, estamos de corpo e alma com a nossa militância na solidariedade internacionalista ao povo colombiano.

domingo, 6 de maio de 2012

REUNIÃO DA FRENTE
PSOL, PCB, PCR E MOVIMENTOS
 
Companheiros e companheiras,
 
Realizamos a nossa primeira reunião dia 24 de abril e agora conforme combinado daremos mais um passo em nossa organização para nossa boa participação das eleições.
 
Será no dia 09 de maio, quarta-feira, pois na terça teremos uma importante reunião sobre as ocupações de Belo Horizonte e é essencial que participemos.
 
Na quarta estamos propondo a seguinte pauta:
- Primeiros passos na formação do COMITÊ DE CAMPANHA
- Formação dos grupos de trabalho que cuidarão do nosso programa. Neste ponto pretendemos iniciar pelos temas EDUCAÇÃO, MOBILIDADE URBANA/TRANSPORTE, DIREITOS FUNDAMENTAIS, ETC.
- Organização do setor de COMUNICAÇÃO.
- Organização do setor de FINANÇAS.
 
Além dos temas acima discutiremos também a política, como essência da nossa PARTICIPAÇÃO nas eleições.
 
LOCAL DA REUNIÃO
SINDSEP-MG – Rua Curitiba, 689 – 12 andar – 18:30 HORAS
 
 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

1º DE MAIO É DIA DE LUTA E RESISTÊNCIA DOS TRABALHADORES

São vários os desafios para a classe trabalhadora neste 2012. A agudização da atual crise do capitalismo desperta a sanha imperialista por novas guerras, como no caso da Síria e do Irã; desmascara o poder dos grandes bancos e das corporações industriais multinacionais sobre a autodeterminação dos povos, como na Grécia e na Itália; e traz mais arrocho econômico e retirada de direitos para trabalhadores de todo o mundo – inclusive de nós, brasileiros.

A crise encontra no Brasil um governo que se alia cada vez mais ao capital e contra os trabalhadores, como comprovam os cortes no Orçamento, de cerca de R$ 50 bilhões em 2011 e outros R$ 50 bilhões agora em 2012, e a retirada de direitos trabalhistas através de legislação que altera a relação entre patrões e empregados nas médias e pequenas empresas.

Nem mesmo a “medida de contenção” dos anos anteriores o governo está disposto a oferecer: a liberação de crédito (uma política de endividamento crescente da população que dá às camadas populares a ilusória sensação de melhoria de vida) é cada vez mais dificultada pelo sistema financeiro.

O Governo Dilma atende prioritariamente aos interesses e necessidades dos grandes banqueiros, dos especuladores e das grandes empresas que exploram o trabalhador brasileiro: ao mesmo tempo em que retira recursos do Orçamento para as pastas de Saúde e Educação, entre outras, concede benefícios fiscais direcionados a estes setores da Economia, como no último “pacotaço” do Executivo, apoiado pelo sindicalismo patronal e por representações da classe trabalhadora, como a CUT, a CTB, a Força Sindical, que agem em favor do capital e aderiram ao governo e sua política, fazendo o jogo da conciliação de classes.

Dilma mantém intacta a sangria do pagamento dos juros e amortizações da dívida pública brasileira: mesmo antes do corte de R$ 50 bilhões, 47,19% dos recursos do orçamento da união previstos iriam para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública, enquanto a Saúde ficava com 3,98% e a Educação com 3,18%.

Esses fatores explicam o fato de sermos a sexta maior economia do mundo e ocuparmos a 84º posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com o sucateamento da saúde pública, as escolas mal equipadas e baixos salários para os profissionais da saúde e educação, transporte público precário nos grandes centros urbanos, falta de moradia digna e péssimas condições sanitárias para um número ainda enorme de lares brasileiros.

Continuam os leilões dos campos de petróleo e de áreas de exploração no pré-sal, com a participação de empresas que não têm as condições técnicas de operar nesses campos sem colocar em risco o ecossistema, como no recente caso da Chevron. São priorizados os lucros das grandes empreiteiras, as maiores beneficiárias, juntamente com os bancos, dos governos FHC e Lula, com obras como a de Belo Monte e Jirau e as instalações esportivas para a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

Por outro lado, cresce a insatisfação de diversos grupos sociais contra este estado de coisas, como atestam as manifestações quase diárias contra a calamidade dos transportes públicos. Os trabalhadores das obras do PAC também reagiram às condições de superexploração e semiescravidão impostas pelas empreiteiras como a Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Mendes Júnior e outras – muitas delas financiadoras das campanhas eleitorais do PT e de seus aliados.

Como demonstrou a manifestação em favor do “Pacotaço” ocorrida em São Paulo , as centrais sindicais ligadas ao governo repetirão este ano as grandes festas no 1º de Maio, com artistas famosos, distribuição de brindes, bebidas e sorteios, além de muito discurso a favor do Governo e do “pacto entre trabalhadores e patrões”. A velha máxima do “pão e circo” será a tônica em muitos centros urbanos do país, buscando desarmar ideologicamente a classe trabalhadora brasileira no enfrentamento ao patronato e ao sistema capitalista.

Para o PCB, a hora é de reforçar a unidade dos movimentos populares, das forças de esquerda e entidades representativas dos trabalhadores, no caminho da formação de um bloco proletário capaz de contrapor à hegemonia burguesa uma real alternativa de poder popular, com a organização da Frente Anticapitalista e Anti-imperialista, que possa ordenar ações unitárias contra o poder do capital e do imperialismo, rumo à construção da sociedade socialista.

Propomos a luta por:

Redução da jornada de trabalho sem redução de salários - Salário mínimo do Dieese; Fim do imposto de renda sobre os salários - Contra a transformação da Previdência em Fundo de Pensão, contra o Funpresp - Solidariedade internacionalista à luta dos trabalhadores - Unidade da classe trabalhadora numa Frente Anticapitalista e Anti-imperialista - Pela Reforma Agrária - Contra a criminalização dos movimentos sindicais e sociais em Luta - Contra o modelo de desenvolvimento econômico a favor do capital - Por uma sociedade Socialista!

PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO – PCB - COMITÊ CENTRAL - MAIO 2012

WWW.EXPRESSOVERMELHO.BLOGSPOT.COM

PCBMINAS@IG.COM.BR – (31) 32016478

terça-feira, 24 de abril de 2012

Aécio Neves ajudou Demóstenes a 'nomear' prima de Cachoeira em MG

Escutas telefônicas da Polícia Federal revelam que o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) intercedeu diretamente junto a seu colega, Aécio Neves (PSDB-MG), e arrumou emprego comissionado no governo de Minas para uma prima do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Mônica Beatriz Silva Vieira, a prima de Carlinhos Cachoeira, assumiu em 25 de maio de 2011 o cargo de diretora regional da Secretaria de Estado de Assistência Social em Uberaba.





Do pedido de Cachoeira a Demóstenes até a nomeação de Mônica bastaram apenas 12 dias e 7 telefonemas. São citados nos grampos o deputado federal Marcos Montes (PSD), ex-prefeito de Uberaba, e Danilo de Castro, articulador político de Aécio em seu Estado e secretário de Governo da gestão Antonio Anastasia (PSDB), governador de Minas. Eles negam envolvimento na nomeação.

A PF monitorou Cachoeira, a prima dele e Demóstenes na Operação Monte Carlo, que desmantelou esquema de contravenção, fez ruir a aura de paladino do senador goiano e expôs métodos supostamente ilícitos da Delta Construções para atingir a supremacia em sua área.

Professor e doutor

Aécio não caiu no grampo porque não é alvo da investigação. Mas ele é mencionado por Demóstenes e Cachoeira. Nos diálogos, o contraventor chama Demóstenes de ‘doutor’ e o senador lhe confere o título de ‘professor’.

O grampo que mostra a ascensão profissional da prima de Cachoeira está sob guarda do Supremo Tribunal Federal (STF), nos autos que tratam exclusivamente do conluio de Demóstenes com o contraventor.

Em 13 de maio de 2011, Aécio é citado. Cachoeira pede a Demóstenes para “não esquecer” o pedido. “É importantíssimo pra mim. Você consegue pôr ela lá com o Aécio... em Uberaba, pô, a mãe dela morreu. É irmã da minha mãe.” Demóstenes: “Tranquilo. Deixa eu só ligar pro rapaz lá. Deixa eu ligar pra ele.”

A PF avalia que o caso pode caracterizar tráfico de influência. “Seguem ligações telefônicas, divididas por investigado, em ordem cronológica, que contêm indícios de possível cometimento de infração penal por parte de seus interlocutores ou pessoas referidas.”

Na síntese que faz da ligação de Cachoeira a Mônica, a 26 de maio - o contato durou 3 minutos e 47 segundos -, a PF assinala: “Falam sobre a nomeação de Mônica para a Sedese/MG, conseguida por Cachoeira junto ao senador Aécio Neves por intermédio do senador Demóstenes Torres e de Danilo de Castro.”
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

segunda-feira, 23 de abril de 2012

OLHAR COMUNISTA - 035

Dono da Delta: 'Suborno dá contratos com governo'
O Olhar Comunista dessa sexta destaca a divulgação de conversa gravada em dezembro de 2009, durante a qual o dono da Delta Construções S/A, Fernando Cavendish, afirma com todas as letras ser possível ganhar contratos com o poder público através do suborno .


Até aí, nenhuma novidade4. Ocorre que a gravação, gravada pelo jornalista Mino Pedrosa, que já trabalhou para Carlinhos Cachoeira, ainda não extrapolou a blogosfera e as publicações alternativas em um momento em que tanto a base do governo quanto a oposição de direita (PSDB-DEM) se vêem envolvidos com a abertura de uma CPMI que pode gerar problemas para ambos os lados. A cumplicidade da grande imprensa, autointitulada defensora da verdade e desde sempre agente de mobilização contra a "corrupção", simplesmente também está atordoada...
Resumindo: a Delta já recebeu mais de R$ 3,6 bilhões em verbas federais desde 2003 (isso sem contar com os contratos com os entes da Federação, cujo maior sócio certamente será o Governo do Estado do Rio de Janeiro sob a administração de Sergio Cabral)e agora está no centro das investigações da Polícia Federal envolvendo Carlos Cachoeira, preso sob acusação de envolvimento em jogo ilegal.
Palavras de Cavendish que aparecem na gravação: “Se eu botar 30 milhões na mão de político, eu sou convidado pra coisa pra caralho. Se eu botasse dez pau que seja na mão dele… Dez pau? Ah… Não é que seja um monte de dinheiro não, mas eu ia ganhar negócio. Ô… Estou sendo muito sincero com vocês: 6 milhões aqui, eu ia ser convidado. ‘Ô senador fulano de tal, tá aqui. Se convidar, eu boto o dinheiro na tua mão’”.
A gravação foi publicada no blog Quid Novi (http://www.quidnovi.com.br/novo/home/), de Pedrosa. Cabe lembrar que a revista Veja já havia publicado trechos dessa conversa, em maio passado, sem divulgar o áudio.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A Semana no Olhar Comunista - Uberaba


Piau se deu mal
A semana começou na quinta (12), com a mesa-redonda sobre o Código Florestal promovido pelo Programa de Educação Tutorial - PET Ciências Sociais e da Natureza da UFTM. O debate contou com a participação de dois pesquisadores, especialistas em questões ambientais, e do deputado federal Paulo Piau (PMDB/MG), relator do projeto de lei que altera do Código Florestal.
Apinhado, o auditório veio abaixo em vaias quando o parlamentar adentrou ao recinto. Piau (foto) deixou claro nas suas intervenções que está a serviço dos interesses do agronegócio (veja mais no post abaixo) e que não vê problema algum em, sendo relator do Código, adimtir que sua campanha em 2010 foi financianda pelo mesmíssimo agronegócio (reveja matéria publicada na época).
O deputado não se intimidou diante dos questionamentos feitos pelos debatedores e pela plateia em geral, mas demonstrou uma marota ignorância sobre contradições latentes no projeto, saindo pela tangente ou simplesmente fugindo das perguntas.
Por sua vez, a UFTM demonstrou para quem quisesse ver qual é a função social da universidade pública, qual seja, além de ser gratuíta e de qualidade, produzir conhecimento a partir da elaboração crítica e do envolvimento com a realidade, com a vida vivida.
Pois bem, a imprensa local dedicou uma cobertura incapaz de reproduzir ou sintetizar o que de fato significou aquele momento. E foi além. Fez questão de registrar numa notinha seu descontentamento com as atitudes "desrespeitosas" da comunidade acadêmica, que lotou o Anfiteatro A da UFTM:
Vaias
Alunos da UFTM vaiaram o deputado Paulo Piau durante mesa-redonda, realizada na noite de quinta-feira, para debater o Código Florestal. Fora os gestos obscenos feitos pelos alunos. Atitudes totalmente imaturas e desrespeitosas, visto que a discussão é de extrema importância para o País. Inclusive, Paulo Piau é relator do projeto que será levado para votação do dia 24 de abril pela Câmara dos Deputados (veja a coluna na íntegra).
Totalmente absurda por privilegiar algo que nada tem a ver com o teor do debate realizado, a notinha é verdadeira em ao menos dois aspectos: 1) ao revelar o espanto de Piau e sua patota com a calorosa recepção; 2) ao confirmar que a vaia recebida por Piau foi mesmo digna de nota.
MST em Uberaba 
A guerra no campo segue sua marcha.
Na madrugada da última quarta (18), cerca de 80 famílias de trabalhadores sem terra tentaram ocupar a fazenda Inhaumas, em Uberaba. A propriedade encontra-se em fase de arrendamento pela Usina Tijuco, a mesma que demanda a posse da fazenda Cravos, também no Triângulo Mineiro, onde recentemente foram assassinados três integrantes do MLST (reveja a Nota Política do PCB).
A tentativa de ocupação fracassou graças à intervenção policial, que transferiu para a delegacia em Uberaba as lideranças do movimento, ligadas ao MST. As 80 famílias também foram transferidas e permanecem acampadas na Praça Pio XII, no Gameleiras.
A edição de hoje do JM Online traz matéria sobre o assunto e a versão dos trabalhadores sobre o episóido. De acordo com Edvaldo Soares dos Santos, porta-voz das famílias acampadas no Gameleiras:
A Polícia Militar de Minas Gerais não respeitou o que o desembargador determinou. Com cachorros e armamentos pesados, nos fizeram sair de lá em poucos minutos. Já a nossa arma é a vontade de trabalhar. Por isso nossas manifestações são pacíficas. 
Segundo Edvaldo, o ouvidor agrário nacional, desembargador Gercino José da Silva Filho, havia autorizado a permanência dos trabalhadores nas terras da Inhaumas. Orientação desprezada pela Polícia Militar, que, em momentos com esse, exerce sua real função de força armada destinada à preservação da propriedade privada, haja o que houver.
No entanto, o próprio Edvaldo confirma que a luta continua: "não vamos desistir, pois causa indignação viver em um país onde tem tanta terra e a gente não pode possuir um pouco dela para produzir nosso sustento" (veja a matéria na íntegra).
Paralisação na UFTM
Docentes da UFTM cogitam aderir à paralisação nacional chamada pelo ANDES-SN para a próxima quarta (25). Para tanto, convocam a Associação dos Docentes da UFTM, seção local do ANDES, para participar do ato.
Num gesto pouco usual, são os docentes que chamam o sindicato à luta, aliás, sindicato cuja atuação mais parece a de um clube de amigos, com a organização de "happy hours" e confraternizações no Joquei Clube.
Os cortes crescentes promovidos pelo Governo Dilma, somados às insuficiências locais da universidade, gestam uma insatisfação coletiva que contamina cada vez mais os corredores e atividades da UFTM.
E os docentes da UFTM não estão sozinhos. Pipocam indicativos de greve por todo o país. Ontem mesmo foi a vez da UFPR confirmar o seu (veja matéria).
Resta saber como se portará a ADUFTM (veja os eixos da pauta nacional do ANDES).
Gramsci e hegemonia
Vale a pena conferir o texto de Ricardo Costa, publicado na página da Fundação Dinarco Reis.
O artigo Antônio Gramsci e a construção de uma nova hegemonia traz uma discussão interessante acerca da mobilização e da compreensão atual do conceito gramsciano, sendo bastante útil em cursos e debates de formação política.
Clique aqui para acessar o artigo na FDR ou aqui, para o arquivo em pdf.
Uberaba, 20 de abril de 2012
1922/2012 - 90 anos do PCB

quarta-feira, 18 de abril de 2012

SOLENIDADE DOS 90 ANOS DO PCB EM SABARÁ


No dia 13 de abril de 2012 realizou-se na Câmara Municipal de Sabará a Sessão Solene de Comemoração dos 90 anos do Partido Comunista Brasileiro.
Presidida pelo presidente da Casa, o Vereador Maurílio Barbosa e pela Vereadora requerente da Sessão Terezinha Berenice Van Stralen a mesa da solenidade foi composta por representantes dos Comitês Central e Estadual Partido Comunista Brasileiro, respectivamente os camaradas Fábio Bezerra e Túlio Lopes; o Secretário Político do PCB de Sabará Joaquim Goulart. Falaram ainda os camaradas Luís Fernando, pela União da Juventude Comunista; Maria Angélica, pelo Coletivo de Mulheres Ana Montenegro; Patrick Osório pela Unidade Classista/Intersindical; Magela Medeiros, pela Associação Cultural José Martí e José Francisco Néres pela Associação de Presos e Perseguidos Políticos.
De um modo geral, as intervenções dos camaradas ressaltaram a importância das celebrações das nove décadas de lutas dos comunistas brasileiros, da trajetória dos comunistas em Minas Gerais, do sequestro sofrido pelo PCB de outras organizações dissidentes que hoje reivindicam seus 90 anos, bem como da linha política seguida pelo PCB na atualidade cuja estratégia aponta o socialismo como única alternativa para a humanidade.
Vale lembrar que a solenidade carregava um significado especial pelo fato de Sabará ter sido, ao lado de Belo Horizonte e Governador Valadares, as únicas cidades de Minas Gerais que resistiram ao surto liquidacionista do início dos anos 1990 e, consequentemente, constituíram-se em peças fundamentais para a Reconstrução Revolucionária do Partidão no estado.
Mas o ponto alto da solenidade foi a homenagem prestada pelo Comitê Municipal de Sabará ao Camarada José Francisco Néres, ex-vereador cassado pelo golpe civil-militar em 1964, agraciado com uma placa e simbolicamente reempossado como membro da Câmara que anulou seu mandato 48 anos atrás.
Ao final da Sessão Solene, o camarada homenageado tocou, em sua simples e formosa escaleta, a Internacional, que foi cantada pela militância e contemplada pelos que se faziam presentes.
Mais do que fazer jus à memória do Camarada Néres, a as comemorações dos 90 anos do Partido Comunista Brasileiro em Sabará ratificaram a reorganização do partido na cidade. Reorganização esta marcada em que merecem ser destacados tanto o resgate dos quadros mais experientes do PCB no município quanto a expressiva participação da União da Juventude Comunista.

Sem Terra trancam rodovias, liberam pedágio e ocupam Incra em Minas


17 de abril de 2012
 
 
Da Página do MST
 
Diversas ações ocorreram nesta terça-feira (17) no estado de Minas Gerais para remomorar e cobrar punição ao Massacre de Eldorado dos Carajás, como ocupação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), trancamento de rodovias e liberação de pedágios.
 
Em Belo Horizonte, por exemplo, cerca de 100 pessoas do MST ocuparam a sede do Incra. O Movimento cobra o assentamento das 2.700 famílias acampadas no estado e reivindica políticas de melhorias para os assentamentos, como assistência técnica, políticas de educação e infraestrutura.
“Há  um convênio acordado com a Ruralminas para a construção de estradas no assentamentos, mas está parado. Falta apenas o Incra liberar recurso para começar”, cobra Vânia Maria de Oliveira, da direção estadual do MST.
 
Liberação de Pedágios
 
Outra ação se deu próximo ao município de Perdões, quando 900 militantes do MST e da Articulação dos Empregados Rurais de Minas Gerais (ADERE) liberaram o pedágio da rodovia federal Fernão Dias,no sentido São Paulo a Belo Horizonte, deixando o passe rápido aberto, isentando, assim, toda a população de pagar as altas taxas para deslocamento.
O MST e ADERE reivindicam o cumprimento do convênio entre os governos Dilma e governador Anastasia, que permite a imediata desapropriação da Usina Ariadnópolis em Campo do Meio, uma luta que já se prolonga há mais de 14 anos. Também exige a posse imediata do latifúndio improdutivo Fortaleza de Santana, em Goiana, na Zona da Mata.
Juntas, estas duas propriedades podem assentar mais 600 famílias, que terão garantidas sua dignidade e qualidade de vida. A passagem livre dos pedágios da rodovia Fernão Dias tem como objetivo a abertura das negociações com os governos.

Norte de Minas
 
Mais de 200 pessoas do MST, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) paralisaram a BR 365, em Jequitaí, Norte de Minas Minas Gerais. Esta mobilização faz parte do abril Vermelho da Região Norte de Minas, que denuncia a violência do latifúndio e a violação dos direitos humanos nos grandes projetos, como no caso do Projeto Jequitaí e do Gorutuba, desenvolvido pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, (CODEVASF).
As famílias reivindicam o assentamento dos acampados que estão há mais de seis anos em Jequitaí. Como os atingidos pela barragem do Projeto Jequitaí reivindicam o reassentamento para todos em condições de sobrevivência exigindo o diálogo com a CODEVASF.
Além disso, denunciam os jagunços fortemente armados que estão na fazenda Correntes. Área de interesse dos sem terras e atingidos, envolvida em várias denúncias, mas que continua na mão da família Azeredo.
 
 
Carajás
 
Os atos políticos fazem parte da Jornada de Lutas pela Reforma Agrária que acontece sempre no mês de abril. Ao mesmo tempo outras rodovias estão sendo trancadas em todo Brasil como forma de manifestar a indignação perante os assassinatos dos 19 companheiros no Massacre de Eldorado dos Carajás – PA. Até hoje, nenhum dos responsáveis foi punido pelo Judiciário brasileiro. Em Minas, neste momento mais de 200 pessoas do MST, MAB e CPT estão paralisando a BR 365, em Jequitaí, no Norte do estado e outras 70 estão na BR 116, no Vale do Rio Doce.
As famílias também denunciam o Massacre ocorrido em Felisburgo, onde 5 companheiros do acampamento Terra Prometida foram assassinados, e 20 foram gravemente feridos. Já se passaram 8 anos e o mandante do crime, Adriano Chafik, e seus jagunços permanecem.

domingo, 15 de abril de 2012

90 anos do PCB comemorados também em Cuba

imagemCrédito: PCB


Por Coletivo Paulo Petry*
O dia 04 de abril foi um dia especial em Cuba. Por certo o brilho que mais reluziu foi o da festa dos 50 anos da Unión de los Jóvenes Comunistas (UJC). A organização que reúne os jovens revolucionários em Cuba tem uma história repleta de conquistas e sacrifícios, conduzindo as gerações de jovens cubanas e cubanos no caminho iniciado pelos “barbudos” em 59. A revolução cubana formou já muitas gerações de combatentes pela vida, de revolucionários internacionalistas, de seres humanos justos, com idéias profundas e prática coerente. Em todas estas gerações esteve presente a UJC. Ao completar 50 anos de lutas, de entrega e de alegria revolucionária, a UJC tem como lema “vamos por mais” - ainda mais rebeldia, unidade e convicção pelo caminho socialista escolhido pelo povo cubano há 53 anos.
No entanto, a foice e o martelo do Partido Comunista Brasileiro (PCB) também brilharam nesse dia 04 de abril, fazendo a festa ainda mais bonita. Durante 3 horas de atividades os jovens comunistas brasileiros, estudantes da Escola Latino Americana de Medicina, mostraram toda sua convicção, organização e alegria num ato que reuniu mais de 50 pessoas numa pequena sala da Casa Memorial Salvador Allende, em Havana. Entre as organizações da Nossa América estiveram presentes os representantes do Partido Comunista Colombiano e da Juventude Comunista Colombiana, do Partido Comunista do Chile e das Juventudes Comunistas do Chile, do Partido Comunista Peruano, do Partido Comunista do Peru, da Federação Juvenil Comunista da Argentina, do Movimento Colombianos e Colombianas pela Paz na Colômbia, do Movimento Ponto Zero da Venezuela, militantes do Partido Comunista de Cuba e da União de Jovens Comunistas de Cuba, da Federação de Estudantes Universitários de Cuba, do Movimento Sem Terra do Brasil (MST), do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), do Partido dos Trabalhadores (PT), da Coordenação de Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e do Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva (NESC), além da honrosa presença da intelectual marxista cubana Isabel Monal e do representante em Cuba da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP). A edição 23 do jornal Avante2 foi distribuída a todos os participantes.
Diversas foram as atividades artísticas que permearam a atividade, entre elas poemas dramatizados e músicas brasileiras e latino americanas. A internacional cantada por uma estudante peruana e acompanhada por todos os presentes marcou a unidade da nossa bandeira e emocionou a todos. Durante as intervenções dos camaradas da base do PCB em Cuba a história dos comunistas – entre erros, acertos e autocríticas – e a atual estratégia socialista do PCB levaram um pouco de Brasil para a pátria internacionalista dos cubanos. A admiração pela nossa história e a afinidade pela nossa atual política estratégica marcaram as intervenções dos presentes. O representante do Partido Comunista Colombiano ressaltou que “os 90 anos do PCB apenas revelam a juventude das suas idéias”, os representantes do Movimento pela Paz na Colômbia também expressaram a sintonia com nossa avaliação e a “importância do PCB para a construção do movimento latino americano que lute pela paz com justiça social na Colômbia”. Os chilenos afirmaram que a “atual linha política do PCB, sua capacidade de autocrítica e de reconstrução são um exemplo para os partidos comunistas do mundo”. Os palestinos agradeceram “a história de solidariedade do PCB com a causa palestina” e a “esperança que tem no Partido Comunista para a construção de um Brasil de justiça e socialismo”. Os jovens comunistas cubanos emocionaram os presentes com suas intervenções, lembrando que “a juventude das nossas idéias, a profundidade dos nossos debates e o sacrifício das nossas ações são as marcas dos comunistas” e  que “a capacidade de autocrítica e reconstrução do PCB são exemplo para a América Latina”. Os jovens comunistas cubanos também ressaltaram a esperança em ver “a alegria, a profundidade e a convicção dos jovens comunistas brasileiros, uma prova do novo momento vivido pelo PCB”. Por fim um jovem músico da Federação Juvenil Comunista da Argentina e um estudante de medicina brasileiro também emocionaram com suas músicas, terminando a atividade com gritos de “Viva o PCB  e viva a revolução brasileira”.
Os jovens comunistas brasileiros do Núcleo Paulo Petry se sentiram honrados em poder representar o Partido numa data tão importante, levando um pouco deste momento de esperança que vivemos os revolucionários brasileiros ao povo cubano e às organizações revolucionárias do mundo que estiveram presentes. A oportunidade de realizar uma atividade com tamanha representatividade só foi possível graças ao internacionalismo proletário dos cubanos, que não apenas dividem o que sobra, mas sim tudo que tem com os povos oprimidos do mundo – multiplicam sua esperança no socialismo. Dessa forma, os jovens comunistas brasileiros afirmaram em uníssono “ fomos, somos e seremos solidários com o povo cubano e sua a revolução, sem jamais vacilar, certos da importância de Cuba Socialista para as lutas de emancipação dos povos pelo mundo”.
Abril de 2012.
Notas:
1-base da UJC/PCB formada por estudantes de medicina em Cuba
2-jornal mensal do Coletivo Paulo Petry que pode ser visualizado no site www.coletivopaulopetry.blogspot.com

sábado, 14 de abril de 2012

A PRIVATIZAÇÃO DO FUTEBOL E O FIM DO FUTEBOL ARTE




José Renato André Rodrigues*
Não se sabe ao certo qual a verdadeira origem do futebol. Comenta-se que na China antiga, na antiguidade Greco-Romana, entre os povos pré-colombianos, já se jogava um antecessor do futebol moderno, que alguns historiadores afirmam ter se originado na Inglaterra.
Entre nós, o futebol chegou através da influência inglesa no século XIX. Inicialmente, era um esporte de elite, e se comentava que o brasileiro, por conta de sua miscigenação,não poderia se adaptar ao esporte bretão. O que nós vimos foi o contrário: diversos mestiços e negros se tornaram estrelas do futebol que se popularizou no Brasil e em todo o mundo, e hoje é o esporte conAXtemporâneo que movimenta bilhões de dólares, sendo alvo de diversos escândalos.
Eu não vivi o futebol-arte, anterior à década de 1970. Cresci ouvindo meu pai, meus tios e as pessoas mais idosas falarem do futebol do passado, de uma época em que ofutebol era considerado arte, e não era ainda o grande entretenimento de hoje. Eu não tive oportunidade de conhecer craques do quilate de Zizinho, Leônidas, Pelé, Euzébio, Puskas, Yachin, Tostão, Garrincha, Dida, Ademir, Gerson, Jairzinho, Rivelino, Beckenbauer e outros. Por ter nascido após 1970, sou de uma geração que aprendeu a admirar o futebol quando ainda existia o futebol “romântico”, onde os jogadores se identificavam com as torcidas, os estádios eram lotados e as camisas dos clubes não eram iguais a uma árvore de natal totalmente descaracterizada, cheia de patrocínios. Os jogadores davam entrevistas no campo de futebol, nos vestiários. As entrevistas eram espontâneas e, às vezes, ingênuas. Hoje, é obrigatório dar entrevista com os patrocinadores ao fundo ou na mesa, com orientação de empresários.
Craque era uma coisa que surgia de forma espontânea nos subúrbios das grandes cidades. O crescimento desordenado sob a lógica do capital gerou as desigualdades sociais, retirou áreas de lazer, acabando com os campos de futebol em muitos bairros proletários. Com isso, muitos jovens dos bairros proletários não têm mais essa opção de lazer (sem o campinho de futebol), outros, se quiserem se tornar jogadores de futebol, têm que se inscrever numa escolinha, onde ficam moldados num futebol rígido, sem inspiração, dominadopor empresários gananciosos.
Hoje, o perfil de quem sonha em ser um jogador de futebol, aqui na América do Sul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai...), não é jogar no Flamengo, Vasco, Botafogo, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Corinthians, Palmeiras, Grêmio, Internacional, Sport, Santa Cruz, Bahia, Vitória e outros. No caso da Argentina, nos clubes River Plate e Boca Juniors, Independiente; no Uruguai, o Penarol e o Nacional de Montevidéu, no Paraguai, o Olímpia e outros. Em todos esses clubes, o sonho do atleta é jogar no exterior. No futebol europeu, o caso que melhor representa isto é o de Messi, do Barcelona, onde ele “dá o sangue”, e na seleção Argentina ainda não rendeu e nem se esforça para tal (na Copa de 2010 foi um fiasco). Hoje, os jogadores estrangeiros que jogam na Europa e na Ásia não têm nenhuma identidade com as seleções dos seus países. Em férias, dispensam as convocações, como foi o caso do lateral brasileiro Marcelo, que se recusou jogar a Copa América pela seleção brasileira. Na maioria das seleções os jogadores que disputaram a última Copa América jogavam no futebol europeu e não no continente americano; é o interesse do capital avançado sobre todos os setores da sociedade. Esta última Copa América foi horrível do ponto de vista técnico. Não foi a Venezuela que melhorou seu futebol, foram as seleções tradicionais como o Brasil, Argentina e Uruguai que demonstraram a queda do nível do futebol-arte em nome do futebol de resultados. Se a próxima copa for de baixo nível, não podemos nos surpreender. Vejam o nível dos jogadores que disputaram a última Copa América em 2011, sem grandes jogadas e jogos sem grande inspiração, além de jogadores sem criatividade.
Para quem nasceu depois de 1970, e começava acompanhar o futebol, havia ainda ídolos nos clubes e uma constelação de craques. Só para citar alguns: Zico, no Flamengo, Roberto Dinamite, no Vasco, Reinaldo, no Atlético Mineiro, Falcão, no Internacional, Sócrates, no Corinthians, e tantos outros. Quando começou a transferência dos jogadores para o exterior, eles jogavam dos 20 aos 30 anos aqui, o que enriquecia os campeonatos locais, e depois faziam o pé de meia em outro país. Foi o caso de Pelé, Zico, Beckenbauer, Platini, Sócrates, Falcão, Cerezzo, Junior, Maradona e outros. Depois, retornavam e encerravam suas carreiras e tinham vínculos com as torcidas de seus países e seus clubes.
Antes, o que era um grande espetáculo tornou-se apenas um entretenimento para as grandes massas, cada vez mais afastadas dos estádios de futebol. Os ingressos vão ficar cada vez mais caros, gerando um esporte elitizado. É o que vamos assistir daqui pra frente, estádios sendo remontados só para atenderem a este processo de elitização com aeliminação das gerais. Isto vai ocorrer durante os próximos campeonatos nacionais, Olimpíadas, Copa do Mundo. Aqui no Brasil e em todo mundo é um processo irreversível, sendo guiado pela lógica do grande capital. Os mais pobres terão que acompanhar pela televisão aberta ou por assinatura, já ocorreram estes fatos em outras copas. Quem não lembra o processo vergonhoso da policia isolando os mais pobres na última copa em 2010, na África do Sul?
Não adianta reclamar, falar na volta do futebol-arte. Enquanto não acabar o capitalismo, a tendência é o interesse financeiro predominar, o que afeta o futebol desde a base. O caminho é o futebol de resultados medíocres predominar, a exemplo da Copa de 1994: quem viu cabeças de área como Falcão, Andrade, Carpegiani, Vitor, Dudu, Rocha e tantos outros, hoje é obrigado a ver Dunga, Ramires ou Felipe Mello. Isso demonstra o quanto o futebol-arte vem morrendo. Até hoje a seleção brasileira campeã de 1994 não é lembrada,no entanto, a seleção brasileira de 1982, mesmo não sendo campeã, é lembrada até no exterior. Por isso ficamos com saudades de uma época que não volta mais, a do futebol-arte que vem morrendo não só no Brasil, como em todo mundo.
O que era autêntico, improvisado nas artes, acabou. O futebol brasileiro e mundial se encontram totalmente privatizados pelas grandes corporações econômicas, utilizados por empresários gananciosos que se aproveitam da ingenuidade de jovens e de suas famílias de baixa renda (quem não se lembra dos casos de jovens abandonados na Europa?). Estes empresários não estão nem aí para o fanatismo do torcedor pelo clube, e hoje as torcidas organizadas são utilizadas nas grandes manipulações dos cartolas e nas armações dentro dos clubes, comercializando, comprando, vendendo jogadores; fazendo com que os torcedores se afastem de seus times do coração. Hoje, por conta da comercialização do futebol, nãodecoramos a escalação dos times, não se criam ídolos, mas sim jogadores para serem vendidos. Além desses fatores, outro fator que compromete o comparecimento das pessoas aos estádios de futebol é a violência e a alienação, acompanhada de fanatismo das torcidas organizadas.
Só para citar alguns nomes em nosso continente, vimos grandes jogadores como os uruguaios Hugo de Leon, Daniel Gonzales, Rubens Paz, Frantchescolli, Dário Pereira, Pedro Rocha. Ficamos assustados quando surgia um Furlan, por exemplo. Como os argentinos Maradona, Ardiles, Tarantini, Ramon Diaz, Mário Kempes... Ou os brasileiros Leandro, Júnior, Falcão, Sócrates, Zico, Mário Sérgio, Júlio César, Adilío, Pita, Palhinha, Roberto Dinamite, Reinaldo e tantos outros. Hoje, somos obrigados a ver os craques artificiais, como Kaká, Messi, Cristiano Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Daniel Alves, Neymar e tantos outros.
Dá nojo de ver a quantidades de passes errados em uma partida de futebol. Assistir uma Copa do Mundo era uma oportunidade para ver uma constelação de craques, e muitos ficaram marcados em nossa memória: Cruyff, da Holanda; Platini, Giresse e Tigana, da França; Rummenigge e Breitner, da Alemanha; Belanov, Blonin e Darsaiev, da União Soviética; Lato e Boniek, da Polônia; Baresi, da Italia; Eusébio, de Portugal; Bobby Charlton, da Inglaterra; Hugo Sanches, do México; Michael Laudrup, da Dinamarca, e tantos outros.
A lógica capitalista afeta a relação dos indivíduos com as artes. Sob isso, o futebol é apenas um puro negócio fabricado pela indústria cultural, como qualquer objeto que temum único propósito: obter lucros apenas para entreter o público, desviando-os dos reais problemas do mundo.
O que dava graça nos estádios era o torcedor de baixa renda. Esses estão cada vez mais afastados dos estádios, seja pelo aumento dos ingressos e diminuição das áreas voltadaspara eles, seja pela imposição das emissoras de televisão em aliança sórdida com os cartolas e as máfias que controlam o futebol mundial, que impõem horários absurdos e preços abusivos de ingressos, o que dificulta o acesso dos torcedores aos estádios de futebol.
O futebol de hoje é dominado por cartolas e uma mídia que procura esconder os fatos da realidade, como ocorreu no jogo Flamengo x Santos, em 2010, quando todos ficaram assustados com o resultado de 5 x 3 para o Flamengo. Feliz foi o comentário de Coutinho, ex-jogador do Santos da era Pelé. Palavra de Coutinho: “Hoje, todos ficam assustados e alegres quando assistem uma grande partida de futebol”.
O nível do futebol atual se encontra baixíssimo. É preferível assistir os jogos do passado no youtube. A Seleção Brasileira não é a do povo (ela é do Itaú, da Coca Cola, do Saara e de outros patrocinadores). As seleções do Brasil, da Argentina, do Uruguai e outras seleções com tradição no futebol têm a obrigação de jogar um bom futebol, pois elas trazem no histórico os nomes dos craques do passado. Hoje, o futebol atual, com raras exceções, resume-se aos cartolas, torcidas organizadas mafiosas e jogadores medíocres, onde poucos jogam alguma bolinha e a grande mídia trata de transformar em craques de vitrine, iludindo as novas gerações que não tiveram o privilégio de ver os craques do passado.
O futebol atual está privatizado pela lógica do capital, que se apropriou desta importante arte popular, que invadiu todos os grandes clubes em todo o mundo.
A era dos grandes craques acabou.
*José Renato André Rodrigues – Professor de Filosofia
Comitê Central do PCB